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Crédito

Taxa fixa, variável ou mista: como escolher

O que muda em cada uma, o que é o spread, e a pergunta que decide a escolha — que não é qual sai mais barata hoje.

Atualizado em 22 de agosto de 2026 · Leitura de 11 min · Fontes indicadas no fim

Em duas linhas

A taxa variável acompanha a Euribor e pode subir ou descer ao longo do contrato. A fixa está travada e não muda. A mista é fixa durante alguns anos e depois passa a variável. A escolha não é sobre qual sai mais barata hoje — é sobre quanta incerteza consegue suportar.

Como se forma a taxa que paga

Numa taxa variável, a prestação assenta em duas parcelas somadas:

O prazo do indexante define de quanto em quanto tempo a prestação é revista. Euribor a 6 meses significa revisão semestral: a prestação fica travada meio ano e depois acerta.

Numa taxa fixa não há indexante. O banco cota uma taxa única para todo o período, e nela já está embutida a sua expectativa sobre a evolução dos juros — mais uma margem pelo risco que assume.

O que cada uma lhe dá, e o que lhe tira

CritérioVariávelFixa
PrestaçãoMuda a cada revisãoIgual até ao fim do período
Se os juros desceremBeneficiaNão beneficia
Se os juros subiremFica mais caraEstá protegido
Custo inicialHabitualmente mais baixoHabitualmente mais alto
Comissão de amortização0,5% do capital amortizado2% do capital amortizado
Planeamento do orçamentoDifícilSimples

Repare na linha da comissão de amortização: é quatro vezes mais cara em taxa fixa. Se conta amortizar com regularidade, isso pesa na decisão e quase ninguém o refere.

A mista, e o que costuma correr mal

A taxa mista é fixa durante um período inicial — cinco, dez, quinze anos — e depois converte-se em variável. Vende-se como o melhor dos dois mundos, e pode sê-lo. Mas há uma armadilha frequente: o spread aplicável depois do período fixo.

Confirme, antes de assinar, qual o spread que vigora quando a taxa passar a variável. Se não estiver fixado no contrato, ou se for mais alto do que o de mercado, a proposta é bem menos atrativa do que parece.

A pergunta que decide

Não é "qual está mais barata". É esta: se a prestação subir 150 € por mês, o que acontece à sua vida?

Se a resposta for "aperta mas aguenta-se", a variável é viável. Se for "não consigo", a fixa está a comprar-lhe uma coisa que vale dinheiro: previsibilidade. E pagar por previsibilidade não é irracional — é o mesmo princípio de qualquer seguro.

Não decida com base em previsões sobre a evolução dos juros, incluindo as suas. Entre 2022 e 2024 a Euribor teve uma subida acentuada que apanhou muita gente desprevenida. Decida com base no que aguenta.

O que negociar, por ordem de impacto

  1. O spread. É a maior alavanca e a única realmente negociável. Peça propostas a três ou quatro bancos no mesmo dia — as taxas mexem — e use-as umas contra as outras.
  2. Os seguros. O de vida e o multirriscos são obrigatórios, mas não é obrigatório contratá-los no banco que dá o crédito. Peça o valor em separado e compare.
  3. Os produtos associados. Domiciliar o ordenado, cartão de crédito, poupanças. Reduzem o spread, mas verifique quanto custam se um dia deixar de os manter.
  4. As comissões. Avaliação, processo, formalização. São menores, mas somam.

A FINE é a sua ferramenta de comparação

Cada banco é obrigado a entregar-lhe a Ficha de Informação Normalizada Europeia, um documento com formato igual em todas as propostas. É o que lhe permite comparar como quem compara etiquetas de supermercado.

Compare pela TAEG e pelo MTIC, não pela TAN nem pela prestação. A TAN é só a componente de juros; a TAEG inclui comissões, impostos e seguros obrigatórios. E o MTIC diz-lhe, em euros, quanto vai sair da sua conta do princípio ao fim.

Erros comuns

Isto é informação, não é aconselhamento. Este guia explica regras e conceitos gerais. Não conhece a sua situação, não recomenda produtos e não lhe diz o que fazer com o seu dinheiro. Para decisões concretas, fale com um profissional habilitado.

Perguntas frequentes

O que é o spread no crédito à habitação?

É a margem do banco, somada ao indexante (normalmente a Euribor) para formar a taxa que paga. É a única parte negociável da taxa, e por isso onde vale a pena concentrar a negociação.

Taxa fixa ou variável: qual é melhor?

Não há resposta universal. A variável acompanha a Euribor e pode subir ou descer; a fixa está travada. A pergunta que decide não é qual está mais barata hoje, mas o que acontece à sua vida se a prestação subir 150 € por mês.

A comissão de amortização é igual nas duas?

Não. É de 0,5% do capital amortizado em taxa variável e 2% em taxa fixa — quatro vezes mais. Se conta amortizar com regularidade, isso deve pesar na escolha.

O que é a FINE?

A Ficha de Informação Normalizada Europeia. É obrigatória em cada proposta de crédito e tem formato igual em todos os bancos, o que permite comparar propostas lado a lado pela TAEG e pelo MTIC.

O que devo confirmar numa taxa mista?

Qual é o spread que passa a vigorar quando o período fixo terminar. Se não estiver fixado no contrato, ou for superior ao de mercado, a proposta é menos atrativa do que parece.

Onde confirmar

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