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Crédito

Crédito consolidado: quando faz contas e quando não faz

Juntar vários créditos num só baixa a prestação, mas quase sempre aumenta o custo total. Como fazer a conta antes de decidir.

Atualizado em 20 de agosto de 2026 · Leitura de 12 min · Fontes indicadas no fim

Em duas linhas

Consolidar é contrair um crédito novo para liquidar vários antigos, ficando com uma prestação só. Quase sempre baixa a prestação mensal. Quase sempre aumenta o total que vai pagar — porque a prestação desce à custa de alargar o prazo.

Primeiro, os dois números que interessam

TAEG — o custo anual do crédito em percentagem, já incluindo juros, comissões, impostos e seguros obrigatórios. É o número que serve para comparar propostas. A TAN é só a componente de juros e engana.

MTIC — o Montante Total Imputado ao Consumidor. É o custo total em euros: tudo o que vai sair da sua conta do princípio ao fim.

Se guardar só uma coisa deste guia, guarde esta: a prestação diz-lhe se consegue pagar; o MTIC diz-lhe quanto custa. São perguntas diferentes e a publicidade a crédito consolidado responde sempre à primeira.

A conta, com um caso concreto

Cinco créditos, 20.000 € em dívida:

CréditoEm dívidaTAEGMesesPrestação
Automóvel8.000 €9,5%36254,81 €
Pessoal5.000 €13,0%30194,41 €
Lar3.500 €12,0%24163,76 €
Cartão A2.000 €16,0%18124,71 €
Cartão B1.500 €17,5%1894,45 €
Total20.000 €832,13 €

Mantendo tudo como está, paga 22.880 € ao todo. Ou seja, 2.880 € de juros até ao fim.

Agora consolide os mesmos 20.000 € a uma TAEG de 12,5%:

PrazoPrestaçãoCusto totalPoupa por mêsPaga a mais no total
84 meses351,31 €29.510 €480,83 €+6.629 €
120 meses285,05 €34.206 €547,08 €+11.326 €

Leia a última coluna com atenção. A 120 meses, liberta 547 € por mês no orçamento — e paga mais 11.326 € pelo mesmo dinheiro. Não é uma armadilha escondida: é a matemática de esticar dez anos aquilo que ia acabar em três.

Então quando é que faz sentido?

Faz, quando o objetivo é sobreviver ao mês e não poupar. E há situações em que essa é claramente a decisão certa:

E quando claramente não faz

O erro mais caro é consolidar e voltar a usar os cartões. Liquidar os saldos liberta plafond. Se voltar a usá-lo, fica com o consolidado e com a dívida nova. É o cenário em que muita gente acaba pior do que começou.

Antes de assinar

  1. Peça o Mapa de Responsabilidades de Crédito ao Banco de Portugal. É gratuito e mostra tudo o que tem em dívida em todas as instituições — incluindo o que se esqueceu. Sem isto, não sabe o número de partida.
  2. Confirme a TAEG máxima em vigor. O Banco de Portugal publica trimestralmente os limites por tipo de crédito. Qualquer proposta acima do limite é ilegal.
  3. Peça a FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia) a cada proposta. É obrigatória e permite comparar como quem compara etiquetas.
  4. Compare pelo MTIC, e peça sempre duas ou três propostas no mesmo dia — as taxas mexem.
  5. Teste dois prazos na mesma entidade, por exemplo 84 e 120 meses, e veja a diferença no custo total. Muitas vezes um prazo intermédio resolve o problema de tesouraria sem o custo do prazo máximo.
  6. Verifique a amortização antecipada. Se a sua situação melhorar, quer poder abater sem penalizações desproporcionadas.

Erros comuns

Isto é informação, não é aconselhamento. Este guia explica regras e conceitos gerais. Não conhece a sua situação, não recomenda produtos e não lhe diz o que fazer com o seu dinheiro. Para decisões concretas, fale com um profissional habilitado.

Perguntas frequentes

Consolidar créditos compensa?

Baixa quase sempre a prestação mensal e aumenta quase sempre o custo total, porque a prestação desce à custa de alargar o prazo. Faz sentido quando o objetivo é evitar incumprimento, não quando é poupar.

O que é o MTIC?

O Montante Total Imputado ao Consumidor: o custo total em euros, do princípio ao fim. A prestação diz se consegue pagar; o MTIC diz quanto custa.

Quanto pode custar consolidar?

Num exemplo com 20.000 € em cinco créditos, consolidar a 120 meses liberta 547 € por mês e custa mais 11.326 € no total.

Onde vejo tudo o que devo?

No Mapa de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal. É gratuito e mostra as dívidas em todas as instituições.

Qual é a diferença entre TAN e TAEG?

A TAN é só a componente de juros. A TAEG inclui juros, comissões, impostos e seguros obrigatórios — é o número que serve para comparar propostas.

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